
Lagoa Santa, 15 de Julho de 2009
Prezado(s) Senhor (es)
No dia 05 de Julho deste ano, procurei a Santa Casa de Misericórdia de Lagoa Santa por motivo de urgência/emergência e por estar próxima a minha casa. Era Domingo, estava sozinha em casa, sentindo muita falta de ar, cansaço, dores no peito, nas costas, barriga e tossindo muito. Se não fosse por esta situação, teria procurado atendimento no Posto de Saúde do Bairro Lundcéia ou nos meus convênios da Aeronáutica e Caixa Econômica Federal.
Fui, primeiramente, ao Pronto Atendimento e a recepcionista anotou meu nome dizendo que ia demorar muito, pois tinha muita gente para ser atendida. Não fui encaminhada ao serviço de sondagem. Sentei e aguardei um pouco, mas a falta de ar estava aumentando, então resolvi procurar a recepção na área de Convênios a fim de verificar a possibilidade de uma consulta particular. A recepção da atendente Pollyana foi excelente e o atendimento rápido, mas estranhei não ter recebido um questionário para preencher, tendo em vista ser a primeira consulta no Hospital. O médico, por sua vez, perguntou-me apenas o essencial e logo me encaminhou ao serviço de radiologia. Durante a consulta, tomei a iniciativa de relatar, resumidamente, o histórico da minha saúde, pois já passei por duas cirurgias na coluna (HD), fiquei com seqüelas neurológicas, estou em tratamento na Clínica da Dor do Hospital Vera Cruz, com uso constante de medicamentos e fisioterapia três vezes na semana. Mas o médico não deu muita atenção, acredito que estava preocupado, apenas, em saber se meu quadro era de bronquite ou pneumonia.
Desesperada, com falta de ar, tossindo muito, cheguei ao RX e muitos pacientes estavam aguardando. Uma pessoa disse: “não tem ninguém aí, as três saíram para almoçar”. Procurei o posto de enfermagem e perguntei a uma enfermeira se realmente “as três” pessoas do RX haviam saído para almoçar. Antes que ela pudesse responder, uma enfermeira com “cara de chefe”, respondeu lá de dentro: “só tem um técnico de RX, as outras são estagiárias e não podem assinar os exames. Elas estão aqui desde cedo e se não parar para almoçar morrem de fome”.
Fiquei assustada com a indelicadeza da enfermeira “chefe”, cujo nome fiquei sabendo depois (Gabriela), retornei ao corredor e disse às outras pessoas que ali aguardavam: "vocês ouviram né?” Pouco depois uma enfermeira chamada Eliana, informou-me que a radiologista não iria demorar, pois só fazia um lanche. E, realmente, após uns quinze minutos, o serviço de radiologia voltou a funcionar. Durante a espera, duas situações me chamaram a atenção: a primeira foi a de um idoso que aguardava em uma maca e não teve a preferência de ser atendido primeiro quando o RX voltou a funcionar. Ali, estavam aguardando, pacientes dos Convênios, particulares e do PA, mas ele deveria ter sido atendido primeiro tendo em vista o seu estado de saúde e a idade. A segunda foi a falta de higiene na sala de RX. A radiologista não me forneceu camisola limpa/descartável, e no banheiro só havia uma dependurada, já usada, e muito amarrotada. Por sorte, na minha blusa não havia nada de metal e fiquei com ela sobre a pele durante o exame. Também, não vi qualquer espécie de higienização no aparelho antes do exame. Tive vontade de ir embora, só não fui porque estava muito mal, sem acompanhante e já havia pago R$ 100,00 (cem reais ) de consulta e R$ 40,00 (quarenta reais) pelo RX. Procurei manter a paciência...
Com o resultado do RX em mãos, voltei ao consultório e apresentei ao médico. Ele prescreveu o procedimento a ser realizado no ambulatório e os medicamentos para serem utilizados em casa. Tive que retornar ao “corredor de atendimento” para mais uma etapa de espera. Com a Ficha de Atendimento nas mãos, tive vontade de sair da Santa Casa a procura de socorro, mas estava sem forças para andar. Felizmente, a mesma enfermeira que eu havia pedido informações sobre o RX (Eliana), veio me socorrer. Como não havia lugar para fazer a inalação, ela me colocou na sala de emergências e disse que logo me levaria para outra sala.
Com a inalação e o soro, comecei a melhorar, mas quando vi a injeção, perguntei se era Benzetacil, a enfermeira respondeu que não, mas que era da “mesma família”. Informei que era alérgica à injeção, então, ela verificou com a médica e disse que não seria aplicada. Este incidente me deixou bastante tensa, pois sou alérgica à aminofilina também, e o médico nem havia perguntado nada sobre medicamentos. Durante o tempo em que estava fazendo a segunda inalação, chegou uma paciente em uma maca, gritando desesperadamente. Diante daquele alvoroço, uma enfermeira disse: “a senhora vai ter que sair daí”. Fiquei apavorada sem saber o que fazer. As enfermeiras não me indicaram outro lugar para ficar, então, desesperada, larguei o inalador e saí empurrando o suporte com o soro pelo corredor até encontrar um lugar para sentar. Fiquei muito nervosa, tremendo, chorando e pedindo para tirarem o soro, pois eu já estava melhor e queria ir embora. Uma enfermeira muito atenciosa ficou conversando comigo e assim que acalmei, ela saiu. Pouco tempo depois, percebi que o soro havia acabado e o sangue estava voltando na sonda, daí tirei o frasco de soro e fui até a porta procurar uma enfermeira e não vi nenhuma nas proximidades. Fui até o posto de enfermagem e informei à enfermeira Gabriela. Desesperada, eu disse: “minha filha pelo amor de Deus, o soro acabou e o sangue está voltando, tira aqui pra mim, pois já estou melhor e vou embora”. Com certa altivez, ela disse: “ A médica já deu alta pra senhora? Sem alta a senhora não pode ir embora não... e quanto mais nervosa a senhora ficar, mais tempo de castigo vai ficar aí...” Eu não estava em condições de retrucar, só percebi as pessoas me olhando. Que humilhação! Eu estaria sendo vítima de discriminação social, racial? Esta idéia passou pela minha cabeça.
Diante de tal constrangimento, humilhada e ainda com dificuldade para respirar, retornei à sala em que estava, sentei , puxei a agulha do soro de uma vez só e saí correndo pelo corredor a fora e fui embora chorando em total desespero. O atendimento desta enfermeira, cujo nome é Gabriela, lesou-me moralmente. O “resto” não interessa...
Solicitei recibo dos pagamentos que efetuei, a fim de pedir ressarcimento ao meu Convênio ( SAÚDE CAIXA), e, também, cópia da Ficha de Atendimento Ambulatorial para prosseguir o tratamento com outro profissional. Estou aguardando a fatura dos materiais/medicamentos que utilizei na Santa Casa a fim de efetuar o pagamento.
Cabe-me esclarecer que preenchi o formulário de críticas/sugestões da Santa Casa e entreguei às responsáveis pela Ouvidoria, e, também, já relatei o fato a elas pessoalmente no dia 13 do mês corrente. No entanto, conforme comentei com as profissionais da Ouvidoria, sinto-me na obrigação de enviar este e-mail com cópia para a Santa Casa de Misericórdia de Lagoa Santa, Secretaria da Saúde e outros meios de comunicação, para servir de alerta. A boa relação funcionário/paciente/usuário é fundamental na recuperação de um doente. A afabilidade, o sorriso ou um simples olhar fraterno vindos de um profissional da saúde têm o poder de amenizar qualquer dor de um paciente; por outro lado, a indelicadeza, a grosseria, a incivilidade, a falta de educação podem levar ao óbito.
Diante do exposto, espero que os responsáveis pela administração hospitalar da Santa Casa de Misericórdia de Lagoa Santa voltem suas atenções para o atendimento no setor de emergência/urgência do PA, Convênios e outros, antes que aconteça um incidente funesto.
Atenciosamente
Geralda Gaia
( Observação: Enviei o relato acima como e-mail para a Santa Casa de Misericórdia de Lagoa Santa, Ouvidoria da Santa Casa, Secretaria da Saúde de Lagoa Santa e Jornal da cidade. Como eleitores, consumidores, cidadãos, seres humanos... precisamos reclamar e fazer valer nossos direitos. Não podemos ficar omissos aos maus tratos e violação das Leis e Direitos que nos atingem diretamente. Tem um ditado que diz “uma andorinha não faz verão”, mas as andorinhas podem trabalhar unidas e o verão, com certeza, virá mais lindo que nunca.)